domingo, 20 de março de 2011

cruzes...



mais um exemplar das muitas e variadas representações da suprema prova de Amor
de Deus por mim e por ti e por toda a Humanidade.
muito temos que aprender com a Cruz!




quarta-feira, 16 de março de 2011

em tempo de lampreia...

 já que é tempo dela, vejam o que dizia, no século XVII, um pregador zeloso 
 lá para os lados do Alto Minho, acerca da lampreia:



é caso para dizer que seria, não o diabo em figura de gente,
mas o diabo em figura de lampreia...

terça-feira, 15 de março de 2011

cruzes...


estamos a
caminhar
pra Cruz de
Sexta-Feira Santa.
em tempo quaresmal, algumas representações,
 em diversos materiais e formas de arte,
 da mais eloquente prova de Amor e de entrega,
 de serviço
 e de doação
 aos outros
 e pelos outros.
e infeliz
 de quem
 esquece
 que a cruz
 é parte
 integrante
   da vida...



quinta-feira, 10 de março de 2011

começou a Quaresma

os acontecimentos importantes, normalmente preparam-se.
e porque a Páscoa é a festa mais importante do ano cristão, começámos a prepará-la, com 40 dias de antecedência.
ontem, quarta-feira de cinzas, por se usar na liturgia o sinal da cinza como símbolo da condição humana (pó, cinza e nada, nas palavras de Florbela) e também do caracter mais penitencial deste tempo.
depois, semana após semana, domingo após domingo, vamos fazendo o percurso de valorização do essencial da nossa existência humana e cristã, com o reavivar da nossa condição de baptizados e iluminados por Cristo, Luz do Céu para o mundo e para o Homem.
a culminar na Cruz de sexta-feira Santa e plenamente no acontecimento único, o mais inédito e inaudito, a Ressurreição de Jesus Cristo no Domingo de Páscoa, vitória definitiva
e radical sobre toda a espécie de mal e sobre a própria morte.

a concluir, recordo uma lenga-lenga popular que ajuda a enumerar os domingos e semanas da Quaresma:

Ana
Magana
Rebeca
Susana
Lázaro
Ramos
na Páscoa estamos.


uma Santa Quaresma para todos,
em ordem a uma Santa Páscoa também.

sexta-feira, 4 de março de 2011

meses...

"em Fevereiro, cada suco (sulco) seu rigueiro (ribeiro)."



mas... 

"em Março, nem rabo de gato molhado".



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"Tudo o que é belo não é de vender..."



Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio
Nem é preciso que saiba cantar



                                          É o refrão duma canção bela e sobejamente conhecida e celebrizada.
E, e certa altura, diz-se:

                              Tu, que tens dez réis de Esperança e de Amor,
                              grita bem alto que queres viver.
                              compra pão e vinho, mas rouba uma flor,
                              tudo o que é belo, não é de vender.

                             Não (se) vendem ondas do mar
                             nem brisa ou estrelas, sol ou lua-cheia
                             Não (se) vendem moças de amar
                             nem certas janelas, ou dunas de areia.


                             

e, de facto, assim é...
o belo não se compra nem se vende...
simplesmente porque não tem preço.
por isso é de graça. é dom. é dom de Deus.





 
quem poderia comprar o sorriso duma mãe para o seu filho?
um  intenso nascer do sol?
a chuva e escorrer na vidraça?
o calor duma lareira acesa?
a amizade sincera?
as lágrimas que nos correm pelas faces?
o pôr do sol?
 ou a força do mar?
a frescura duma manhã de Março ou de Abril?
umas cerejas maduras e frescas?
ou a flor das amendoeiras?
...


"...nem estrelas...nem moças de amar...nem certas janelas..."










 

                              

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

22 de Fevereiro: dia litúrgico da Cadeira de S. Pedro

          Poucas festas litúrgicas têm nomes tão curiosos como esta da Cadeira de S. Pedro.
Mas nada de confusões: não celebramos uma paça de mobiliário; celebramos a missão de Pedro, um simples e impulsivo pescador dos mares da Galileia que foi escolhido por Jesus para conduzir uma outra barca: a própria Igreja de Jesus Cristo.

          É esta missão unificadora de todos os discípulos de Cristo,  tão transcendente e pesada que celebramos hoje, sentindo-nos também mais unidos à volta de Pedro (Bento)
e verdadeiras pedras vivas da Igreja do Senhor.



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Inverno no nosso Calvo...


a oliveira a espreitar o rio lá ao fundo...



e o rio  correr. vencendo tudo...
sem tempo para espreitar.



terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Auto da Paixão - Vilarandelo 2011


a propósito da próxima apresentação do Auto (ou Acto) da Paixão em Vilarandelo,
que será na tarde de Sexta-feira Santa, 22 de Abril,
tive qua andar a procurar o Canto da Verónica, para descodificar as suas palavras em latim.

eis a conclusão:



e, finalmente, a tradução (da minha responsabilidade):

Ó vós todos
que passais pela rua
atendei (esperai)! reparai!
e vêde
se há dor
como a minha dor!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

homens grandes: Martim Velho Barreto



Martim Velho Barreto
eis um nome praticamente desconhecido da totalidade dos habitantes do nosso concelho.
no entanto, o nome dum homem grande na história deste concelho de Valpaços;
um nome que devia ficar escrito, gravado com letras de ouro.

Martim Velho Barreto, natural de Monção - como atesta a inscrição da lápide da sua sepultura
na capela-mor da igreja de Santa Valha - foi, durante o século XVII pároco de Santa Valha, de Fornos do Pinhal e provavelmente da Bouça.

há vários documentos em que o seu nome figura:  



 estas duas pinturas encontram-se no arco cruzeiro da igreja de Fornos do Pinhal. pode ali ler-se que o arco e o tecto da capela-mor da igreja foram mandados fazer (à sua custa?) por Martim Velho Barreto, na era de 1682.
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estoutras são imagens de Santa Valha. dois belos e preciosos documentos para a história desta freguesia e do concelho.
a primeira está incrustada no muro da residência paroquial (a que os nativos chamam significativamente Abadia), e, depois duma inscrição do Evangelho (em latim) e que se trata da recomendação de Jesus aos discípulos no decorrer da Última Ceia "tende sempre os pobres convosco!", afirma-se que foi o Padre Martim Velho Barreto que mandou construir aquela casa para pobres peregrinos em 1692.

a segunda é uma imagem da capela de S.Miguel, também chamada de S. Caetano, em que se diz que ela foi reedificada sendo Abade Martim Velho Barreto no ano de 1697. 



já ouvi igualmente dizer que foi Martim Velho Barreto quem mandou construir a igreja da Bouça. por aqui se pode concluir e imaginar a grandeza deste homem e da sua obra (não apenas material, decerto) por estas terras.
a nossa homenagem, com o sentimento e a certreza de que há uma história por descobrir e escrever.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia"



era o lema dos escritores do movimento literário português chamado realismo (séc. XIX).
entre eles destacou-se o grande génio do romance Eça de Queiroz
que, com Guerra Junqueiro, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão
e outros, formava o grupo dos auto-afirmados "Vencidos da Vida":





 lembrou-me este lema o dia de hoje:
sol limpo, claro, até quente; e nevoeiro húmido, escuro e frio,
como um "manto diáfano" a encobrir a superfície real e crua de tudo.




felizmente, também proporciona balezas como estas.
a lembrar a terra... o mar... e as ilhas... 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

a simplicidade...



em Vilarandelo,
a dimensão meramente informativa da publicidade.

mas reparem na beleza tão simples deste reclame!




definitivemente, a aliança entre a simplicidade e a beleza.
como sempre!

sábado, 8 de janeiro de 2011

é inverno...







































...porque é inverno,
chuvoso,
uma imagem,
a recordar o ano passado...
chuvoso, húmido e frio...
é o inverno...
e a água é riqueza
e fonte de vida.

domingo, 2 de janeiro de 2011

em princípio de ano...

Sísifo

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura,
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.



Miguel Torga

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

em fim de ano...





e agora?
acabou o caminho?
em frente?
à esquerda?
à direita?

temos, graças a Deus, o livre arbítrio.
não deixemos que nenhuma crise nos impeça.
o futuro é nosso.
o amanhã será aquilo que nós quisermos.

bom ano!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

cantata de Natal


 foi esta noite, na igreja de Vilarandelo


 sob a orientação do Maestro Francisco Doutel, nosso conterrâneo


apresentada esta cantata de Natal, onde se cruzaram as narrativas da Sagrada Escritura com as cantigas simples do Natal (tão distante!) da nossa infância, a solenidade do Magnificat
e a cadência dos nossos trasmontanos cantares das segadas e do primo cante alentejano.
que mais nos aproximou do mistério de Deus feito Menino!

afinal é este o encanto do Natal de Jesus.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

a matança...

porque é tempo, aí vai. da autoria do nosso A. M. Pires Cabral


A MATANÇA

Não penses
que a carne apenas é aquela oca
lívida carcassa
em imóvel galope alucinado,
embarrada numa trave da adega.

Não penses
que o milagre anual da salgadeira
vem sem morte e sem trabalhos. Não:

Contar-te-ei
que primeiro atam o porco em sua loja
com uma corda em torno do focinho
e o arrastam à força para o ar lavado e frio.

Contar-te-ei
que o porco luta e resiste: ora sentado
sobre os quartos traseiros (os futuros presuntos),
ora comicamente no solo as quatro patas
fincando com bravura se defende
da mal-agourada violação. Por fim, cedendo,
colocam-no, ainda contrafeito,
entre roncos, bufos e sacões,
no banco, deitado sobre o lado,
por forma a expor o vulnerável,
comestível coração.

Contar-te-ei
que quando a faca penetra nas entranhas,
qual punhal vingador de antiga fome,
o grito é tal, tão desolado e aflito,
tão humano, tão digno de compaixão,
tão de criatura insultada e indefesa -
que tenho de tapar a mãos ambas os ouvidos
e recuar para os fundos da casa,
onde o rumor mal chague. Ainda assim,
a voz implorativa é uma cascata,
uma cascata lenta e descendente,
em que o animal se esvai.
Quando calado - o sangue
jorrando impetuoso no alguidar -
é sinal que
          o porco é morto:
                                    viva o porco!



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

8 de Dezembro: Imaculada Conceição da Virgem Maria


                                                  É doutrina cristã, solenemente proclamada - seguindo e respeitando o sentimento geral do povo cristão desde sempre -  pelo Papa Pio XI em 8 de Dezembro de 1854, que a Virgem Maria, em virtude da sua função futura de vir a ser a mãe de Jesus (= Mãe de Deus), foi preservada do pecado original desde o momento da sua concepção (ou conceição) no seio de Santa Ana.

hoje celebramos este privilégio de Maria.

esta invocação da Mãe de Jesus como Senhora da Conceição
 é daquelas que mais eco encontram e sempre encontraram
no coração e no afecto do povo cristão, não só em Portugal.

no entanto Ela é de facto, Padroeira de Portugal,
este país que, desde a sua fundação se apresentou como Terra de Santa Maria.
esta nomeação (padroeira, madrinha) e a devoção à Senhora da Conceição foi oficializada
pelo nosso Rei D. João IV em 1646,
depois da restauração do nosso País como nação independente,
quando aquele Rei declarou a Senhora da Conceição Padroeira de Portugal,
e acrescentou:

         "... e prometemos e juramos com o Príncipe e Estados de confessar e defender sempre (até dar a vida, sendo necessário) que a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi concebida sem pecado original." 

interessante é notar que no ano de 1954, para celebrar os 100 anos do Dogma da Imaculada Conceição foram colocados no exterior de muitas das nossas igrejas uns azulejos, dizendo:
A Virgem Maria, Senhora Nossa,
foi concebida sem pecado original.

já agora fica o convite a estarem atentos a esse detalhe na frontaria dalgumas igrejas do nosso concelho (Fornos do Pinhal, Sonim, Carrazedo de Montenegro, entre outas possíveis) 





7 de Dezembro: Santo Ambrósio de Milão



é dia de Santo Ambrósio.
sim, o daquele santuário conhecido perto de Macedo de Cavaleiros.
mas ele não era de Macedo...
eis alguns dados biográficos:

nasceu em 339, portanto, viveu no século IV, imaginem...
movimentou-se em territórios hoje constitutivos da França e da Itália.
depois de ter desempenhado diversos cargos públicos,
ele, que era filho de um governador romano da Gália,
foi aclamado Bispo de Milão, no Norte de Itália, por uma criança,
seguida imediatamente por toda a voz popular.
e assim se tornou bispo.
isto em 7 de Dezembro de 374.

exerceu o seu múnus com firmeza, eloquência, caridade pelos pobres,
 coragem e sensibilidade artística (foi um excelente poeta).

um episódio muito interessante da sua vida e acção,
que nos revela a têmpera deste homem,
aconteceu no ano 390:
o Bispo Ambrósio, à porta da Igreja de Milão,
proibiu o Imperador Teodósio (de quem era conselheiro) de entrar na igreja
e obrigou-o a fazer penitência pública durante longo tempo,
por causa do massacre geral que este havia ordenado
contra o povo da cidade de Tessalónica.
(a imagem anexa representa esse facto).

morreu no ano 397.

é considerado um dos quatro grandes Doutores da Igreja do Ocidente
(Ambrósio, Jerónimo, Agostinho e Gregório Magno)