quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"Tudo o que é belo não é de vender..."



Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio
Nem é preciso que saiba cantar



                                          É o refrão duma canção bela e sobejamente conhecida e celebrizada.
E, e certa altura, diz-se:

                              Tu, que tens dez réis de Esperança e de Amor,
                              grita bem alto que queres viver.
                              compra pão e vinho, mas rouba uma flor,
                              tudo o que é belo, não é de vender.

                             Não (se) vendem ondas do mar
                             nem brisa ou estrelas, sol ou lua-cheia
                             Não (se) vendem moças de amar
                             nem certas janelas, ou dunas de areia.


                             

e, de facto, assim é...
o belo não se compra nem se vende...
simplesmente porque não tem preço.
por isso é de graça. é dom. é dom de Deus.





 
quem poderia comprar o sorriso duma mãe para o seu filho?
um  intenso nascer do sol?
a chuva e escorrer na vidraça?
o calor duma lareira acesa?
a amizade sincera?
as lágrimas que nos correm pelas faces?
o pôr do sol?
 ou a força do mar?
a frescura duma manhã de Março ou de Abril?
umas cerejas maduras e frescas?
ou a flor das amendoeiras?
...


"...nem estrelas...nem moças de amar...nem certas janelas..."










 

                              

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

22 de Fevereiro: dia litúrgico da Cadeira de S. Pedro

          Poucas festas litúrgicas têm nomes tão curiosos como esta da Cadeira de S. Pedro.
Mas nada de confusões: não celebramos uma paça de mobiliário; celebramos a missão de Pedro, um simples e impulsivo pescador dos mares da Galileia que foi escolhido por Jesus para conduzir uma outra barca: a própria Igreja de Jesus Cristo.

          É esta missão unificadora de todos os discípulos de Cristo,  tão transcendente e pesada que celebramos hoje, sentindo-nos também mais unidos à volta de Pedro (Bento)
e verdadeiras pedras vivas da Igreja do Senhor.



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Inverno no nosso Calvo...


a oliveira a espreitar o rio lá ao fundo...



e o rio  correr. vencendo tudo...
sem tempo para espreitar.



terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Auto da Paixão - Vilarandelo 2011


a propósito da próxima apresentação do Auto (ou Acto) da Paixão em Vilarandelo,
que será na tarde de Sexta-feira Santa, 22 de Abril,
tive qua andar a procurar o Canto da Verónica, para descodificar as suas palavras em latim.

eis a conclusão:



e, finalmente, a tradução (da minha responsabilidade):

Ó vós todos
que passais pela rua
atendei (esperai)! reparai!
e vêde
se há dor
como a minha dor!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

homens grandes: Martim Velho Barreto



Martim Velho Barreto
eis um nome praticamente desconhecido da totalidade dos habitantes do nosso concelho.
no entanto, o nome dum homem grande na história deste concelho de Valpaços;
um nome que devia ficar escrito, gravado com letras de ouro.

Martim Velho Barreto, natural de Monção - como atesta a inscrição da lápide da sua sepultura
na capela-mor da igreja de Santa Valha - foi, durante o século XVII pároco de Santa Valha, de Fornos do Pinhal e provavelmente da Bouça.

há vários documentos em que o seu nome figura:  



 estas duas pinturas encontram-se no arco cruzeiro da igreja de Fornos do Pinhal. pode ali ler-se que o arco e o tecto da capela-mor da igreja foram mandados fazer (à sua custa?) por Martim Velho Barreto, na era de 1682.
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estoutras são imagens de Santa Valha. dois belos e preciosos documentos para a história desta freguesia e do concelho.
a primeira está incrustada no muro da residência paroquial (a que os nativos chamam significativamente Abadia), e, depois duma inscrição do Evangelho (em latim) e que se trata da recomendação de Jesus aos discípulos no decorrer da Última Ceia "tende sempre os pobres convosco!", afirma-se que foi o Padre Martim Velho Barreto que mandou construir aquela casa para pobres peregrinos em 1692.

a segunda é uma imagem da capela de S.Miguel, também chamada de S. Caetano, em que se diz que ela foi reedificada sendo Abade Martim Velho Barreto no ano de 1697. 



já ouvi igualmente dizer que foi Martim Velho Barreto quem mandou construir a igreja da Bouça. por aqui se pode concluir e imaginar a grandeza deste homem e da sua obra (não apenas material, decerto) por estas terras.
a nossa homenagem, com o sentimento e a certreza de que há uma história por descobrir e escrever.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia"



era o lema dos escritores do movimento literário português chamado realismo (séc. XIX).
entre eles destacou-se o grande génio do romance Eça de Queiroz
que, com Guerra Junqueiro, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão
e outros, formava o grupo dos auto-afirmados "Vencidos da Vida":





 lembrou-me este lema o dia de hoje:
sol limpo, claro, até quente; e nevoeiro húmido, escuro e frio,
como um "manto diáfano" a encobrir a superfície real e crua de tudo.




felizmente, também proporciona balezas como estas.
a lembrar a terra... o mar... e as ilhas... 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

a simplicidade...



em Vilarandelo,
a dimensão meramente informativa da publicidade.

mas reparem na beleza tão simples deste reclame!




definitivemente, a aliança entre a simplicidade e a beleza.
como sempre!