quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

7 de Dezembro: Santo Ambrósio de Milão



é dia de Santo Ambrósio.
sim, o daquele santuário conhecido perto de Macedo de Cavaleiros.
mas ele não era de Macedo...
eis alguns dados biográficos:

nasceu em 339, portanto, viveu no século IV, imaginem...
movimentou-se em territórios hoje constitutivos da França e da Itália.
depois de ter desempenhado diversos cargos públicos,
ele, que era filho de um governador romano da Gália,
foi aclamado Bispo de Milão, no Norte de Itália, por uma criança,
seguida imediatamente por toda a voz popular.
e assim se tornou bispo.
isto em 7 de Dezembro de 374.

exerceu o seu múnus com firmeza, eloquência, caridade pelos pobres,
 coragem e sensibilidade artística (foi um excelente poeta).

um episódio muito interessante da sua vida e acção,
que nos revela a têmpera deste homem,
aconteceu no ano 390:
o Bispo Ambrósio, à porta da Igreja de Milão,
proibiu o Imperador Teodósio (de quem era conselheiro) de entrar na igreja
e obrigou-o a fazer penitência pública durante longo tempo,
por causa do massacre geral que este havia ordenado
contra o povo da cidade de Tessalónica.
(a imagem anexa representa esse facto).

morreu no ano 397.

é considerado um dos quatro grandes Doutores da Igreja do Ocidente
(Ambrósio, Jerónimo, Agostinho e Gregório Magno)




segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

as nossas casas...


o célebre Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes (1906-1989),
que foi Bispo daquela Diocese 30 anos (1952-1982),
falava, ainda no tempo da outra senhora, (anos 50),
tão profética e abertamente,
da "miséria imerecida do mundo rural".
tal bizarria (entre outras) valeu a esse insigne Pastor
um exílio de 10 anos, (1959-1969) durante os quais,
sendo impedido de entrar no País
pelas autoridades autoritárias,
teve que permanecer por Roma, França e Espanha.

Começo com este dado histórico
relativo a uma personalidade incontornável
da história portuguesa do século passado,
para, com a devida reverência,
parafrasear tão ilustre inspirador,
falando eu da situação de
miséria imerecida das nossas construções mais genuínas e características,
tão abundantes (ainda) por todas as nossas aldeias trasmontanas,
e a que já me referi noutras ocasiões.
porquê?
porquê esta miséria?
porquê este abandono e desprezo completo?
não são estas construções singelas e belas o nosso património cultural também?
porquê este desprezo e esquecimento?

servirá isto para despertar algumas consciências?...

Deixo, por fim, um poema diferente.
diferente porque fala a nossa linguagem.
diz-nos respeito.
fala dos sentimentos e mundividência dos nossos antepassados
por estas terras de Tràs-os-Montes.
o autor é A. M. Pires Cabral,
natural de Chacim, Macedo de Cavaleiros,
a viver em Vila Real, onde o conheci nos meus tempos de Liceu.
em tempo de Advento e de uma crise generalizada e tão propalada,
saboreiem:



                         A CASA

                         Casa em que caibas; terra quanta vejas.
                                                    De um provérbio do Nordeste

                 Casa em que caibas - não é preciso mais.
                 Teus sonhos são à medida do teu corpo.
                
                 Casa em que caibas: espaço calculado
                 para os teus impulsos de comer, dormir, amar.
                 o mundo é um WC amplo e estrelado.
                 A casa quer-se pequena para não estorvar

                 Casa em que caibas: a lareira,
                 a mesa de pinho, os bancos, as gamelas,
                 a cama, a arca, o cântaro, a caldeira.
                 Os teus olhos te bastem por janelas.

                 Casa em que caibas.
                 Terra quanta vejas.
                 (Meu exagerado engolidor de labaredas...)
                 Acrescenta: esperança quanta saibas.




P.S. Conselho: quem ainda não conhece, faça por conhecer as duas personalidades cujos nomes destaco.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Balada da neve

 




Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
será chuva? será gente?
gente não é certamente
e a chuva não bate assim...


é talvez aventania;
mas há pouco, ha poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...





quem bate assim levemente,
com tão estranha leveza
que mal se ouve, mal se sente?
não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.


fui ver. a neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
-há quanto tempo a não via!
e que saudades, Deus meu!





olho-a através da vidraça.
pôs tudo da cor do linho.
passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...


Augusto Gil

sábado, 27 de novembro de 2010

ainda se ouve...



João Baptista,
o Profeta
que quiseram calar
-como sempre,
ontem como hoje-
e calaram.
mas a sua voz ainda se ouve...
na denúncia do mal...
de todos os males
 que nos impedem de sermos nós...
imagens do Eterno!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

longe... e fora de mão...



este Torga, de facto, tinha cada uma!...
a verdadeira incarnação de Trás-os-Montes...
por tudo.
até por ficar longe e fora de mão...
ainda hoje assim é...
graças a Deus!... ou ao diabo?...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

para quem não sabe...

decerto já cansado de ver o seu terreno invadido
e sujo por detritos alheios,
este amigo, 
com toda a paciência, 
limpou o terreno
e deixou esta tabuleta:

















oportuna e preciosa informação!