quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Balada da neve

 




Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
será chuva? será gente?
gente não é certamente
e a chuva não bate assim...


é talvez aventania;
mas há pouco, ha poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...





quem bate assim levemente,
com tão estranha leveza
que mal se ouve, mal se sente?
não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.


fui ver. a neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
-há quanto tempo a não via!
e que saudades, Deus meu!





olho-a através da vidraça.
pôs tudo da cor do linho.
passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...


Augusto Gil

sábado, 27 de novembro de 2010

ainda se ouve...



João Baptista,
o Profeta
que quiseram calar
-como sempre,
ontem como hoje-
e calaram.
mas a sua voz ainda se ouve...
na denúncia do mal...
de todos os males
 que nos impedem de sermos nós...
imagens do Eterno!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

longe... e fora de mão...



este Torga, de facto, tinha cada uma!...
a verdadeira incarnação de Trás-os-Montes...
por tudo.
até por ficar longe e fora de mão...
ainda hoje assim é...
graças a Deus!... ou ao diabo?...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

para quem não sabe...

decerto já cansado de ver o seu terreno invadido
e sujo por detritos alheios,
este amigo, 
com toda a paciência, 
limpou o terreno
e deixou esta tabuleta:

















oportuna e preciosa informação!


domingo, 14 de novembro de 2010

ao varrer do sol...

    nesta imagem,
ao varrer do sol,
ainda vislumbramos
fragas duras
 e agrestes,
folhas pálidas,
descoradas...
montes altos
e ermos...
e o rio,
o doiro,
lá ao fundo...
adormecido...
como espelho do mundo.